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Sinais no caminho

Na recente história do cooperativismo português, que se alonga pelos últimos trinta anos, já algumas vezes nesta revista se deixou uma palavra de consideração e saudade por companheiros que nos deixaram.

Desta vez o desaparecimento, em poucas semanas, de dois homens que marcaram o cooperativismo português deste nosso tempo, justifica este pensamento e breve reflexão.

O Prof. Fernando Ferreira da Costa, discípulo e colaborador de António Sérgio e primeiro presidente do Inscoop, falecido a 30 de Janeiro de 2006.

O Dr. José Barreiros Mateus, fundador e dirigente da cooperativa NHC, vice-presidente da Federação das Cooperativas de Habitação Económica e seu representante no CECODHAS.P, falecido em 7 de Dezembro de 2005. As páginas que neste número da revista lhes dedicamos, mais que homenagem, pretendem ser notas soltas recolhidas da lição que nos deram ao longo da vida.

O cooperativismo é um caminho trilhado por milhões de homens e mulheres em todo o mundo. Para todos, esse caminho é afirmação de entreajuda e solidariedade. Para muitos é caminho fácil, por outros o terem desbravado e preparado. Para alguns é caminho feito do esforço e da coragem com que venceram distâncias, aplanaram dificuldades, impulsionaram vontades, e semearam valores. Entre estes contaram-se durante a vida os que agora lembramos com respeito.

Mais prontos a dar a mão e a cooperar no trabalho, do que preocupados com a recompensa que nem sempre chega, são homens e mulheres como eles que vão deixando sinais balizadores no caminho cooperativo.

É por estes sinais que o caminho se vai tornando conhecido e credível para tantos. E por este caminho, trilhado cada vez por maior número, se vai realizando a esperança de uma vida mais digna, na liberdade, na democracia, no trabalho, na solidariedade.

Se a história do cooperativismo é feita do trabalho e da dedicação de muitos, fica-nos a certeza que dela fazem parte, também para o futuro, os sinais que estes amigos e companheiros aí implantaram.

Manuel Canaveira de Campos

 

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